Form Spring

formspringLembra de quando você estava na quarta série e as meninas da sua sala tinham um caderno de perguntas? Pois é, lançaram uma versão 2.0 desse caderno. Chama-se formsprimg.me e é a novidade da semana no twitter.

Criar um perfil no formsprimg.me não demora mais que dois minutos. Uma vez cadastrado, qualquer pessoa pode te perguntar o que quiser anonimamente. Cabe a você decidir se vai ou não responder.

A principal diferença entre essa nova ferramenta e o caderninho de perguntas é que, como tudo nas redes sociais, o que é publicado pode ter alguma relevância se quem escrever for relevante. Por exemplo, se o Chuck Norris criasse um, eu perguntaria se é verdade que quando ele vai doar sangue, recusa a seringa e pede uma pistola e um balde.

A ideia é sim interessante e se eu fosse advogado, estagiário analista de mídias sociais de uma editora de dicionário, professor de inglês particular ou trabalhasse em um ramo onde se é pago para saber mais que os outros, eu criaria um perfil lá agora mesmo e diria que estou disposto a responder toda e qualquer pergunta que diz respeito à minha área de atuação e que não seja idiota.

Provavelmente mês que vem você vai ler algo coisa sobre isso na Veja ou algum veículo destinado à Classe Média. Mas, quando isso acontecer, você pode levantar as mãos e agradecer às internets por saber da novidade antes dos seus amigos de condomínio. :)

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Telemarketing

Eu publiquei esse texto em outra vida em um blog já falecido. Eu gostaria de estar postando de novo e espero de coração que vocês venham a estar gostando.

telemarketing-2

- Bom dia.
- Bom dia, eu gostaria de estar falando com o Sr. João.
- Pois não?
- Seu João, é do Banco Dinheiro Forte, a gente estamos fazendo uma promoção incrível do seguro descanse em paz.
- Não, não minha querida, obrigado..
- Mas você sabe como é essas coisas seu João. Um dia a gente estamos saudáveis, no outro acordamos morto.
- Obrigada minha filha, mas…
- “Mas” digo eu seu João, você não deixou nem eu ler a apresentação.
- Oito e meio da manhã do domingo?
- Mais um motivo! Eu tô trabalhando em pleno domingo oito e meia.
- Eu entendo, mas é que…
- “Mas é que” nada seu João. Deixa pelo menos eu ler o iscripiti.
- Oh meu Deus! Tá bom, já que você faz tanta questão, lê.
- Eu sou do banco Dinheiro Forte, a gente estamos com uma incrível promoção do seguro “Descanse em Paz”, pra você morrer de qualquer coisa, menos de preocupação. Isso porque a sua família vai estar contando com um super benefício e se você vier a obitar (do verbo óbito) a gente vai estar oferecendo uma exclusiva assistência no caso de morte. Tudo isso por apenas 19,99 por mês que vai estar sendo descontado direto da sua própria conta. É pra morrer em paz ou não é?
- Acabou?
- Acabou sim senhor.
- Posso desligar?
- Mas seu João, você não viu que beleza?
- Obrigado mesmo, é que não estou pensando em morrer tão cedo.
- Não seu João você não entendeu nada, eu vou estar lendo de novo pra o senhor estar entendendo…
- Pelo amor de Deus, o português!
- Português? Que português? Ele tem seguro?
- Não, não querida, liga pra ele e esteja oferecendo o seguro descanse em paz, quem sabe ele estará comprando, e eu estarei voltando a dormir, e nós estaremos todos nos felicitando. O numero é 7070-7070.
- Seu João?
- Isso, obrigado, tchau.
- Agora, pelo jeito que o senhor está falando eu estou reconhecendo. É seu João o encarregado, né? Seu João Antônio. Era um teste né? Haha. Eu percebi mesmo desde o começo. Mas fala a verdade eu fui bem, hein?! E você, que cliente mais chato. Haha. Mas fala a verdade se esse número é de algum português amigo seu mesmo? Pode ligar?
- Isso mesmo querida. Sou eu mesmo. Você esta de parabéns! Pode estar ligando sim.
- Obrigado Seu João, esteja tendo um bom dia!
- Você também querida, esteja tendo um bom dia.
- Esse seu jeito de falar é inconfundível mesmo.
- E você também estará indo pro mesmo caminho. Parabéns!
- Quê isso. Eu vou estar ligando lá, viu?
- Não foi nada.
- Tchau.
- Tchau.

João Alberto, advogado, volta pra cama pensando: “Dessa vez eu dei sorte”.

*ilustração carinhosamente feita pelo meu companheiro de labuta Hélder Nóbrega.

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Videoskaters

Eu penso em, um dia, produzir vídeos de Skate. Talvez por isso essa entrevista feita pela Trip tenha me chamado tanto a atenção.

Ela mostra, ainda que superficialmente, a luta que é, num país como o Brasil, viver de uma arte tão específica quanto a de produzir filmes de skate.

Medo de roubos. Medo de quedas. E, por que não?, medo da polícia.

Esse pequeno filme, em pouco mais de quatro minutos, revela o dia-a-dia de Fernando Granja e Eduardo Bocão, dois videoskaters que, como a imensa maioria de sua espécie, aprendeu a filmar filmando.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=xpG469oOsFQ]

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Remix | Pulp Fiction

Usando apenas os efeitos sonoros do meu filme preferido do Tarantino, Pulp Fiction, alguém muito criativo/desocupado fez uma mixagem que vai te deixar, no mínimo, admirado.

O mix tenta seguir a ordem cronológica do filme, captando as cenas e falas mais importantes.

Dificilmente, quem não viu o longa vai entender o enredo, mas quem já conhece com certeza vai lembrar da história.

Vale a pena ganhar cinco minutos apreciando.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=CzygyXR8eUc]

via


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Bastardos e Inglórios – De cinéfilo para cinéfilo

bastardos-ingloriosSe você está lendo esse texto, das duas uma: Ou não entende de cinema, mas está pensando em ver o filme; ou gosta muito de cinema e, logo, entende um pouco do assunto. Se você faz parte do primeiro grupo, espero que essa humilde resenha te influencie positivamente. Agora, se faz parte do segundo, você é ao menos um pouco cinéfilo. E Tarantino é praticamente uma unanimidade entre cinéfilos.

Com seu estilo repleto de referências aos filmes clássicos e outros pouco conhecidos, de países como China, Japão, Rússia, França entre outros, o ex-atendente de locadora conquistou toda a nova geração de amantes da sétima arte com seu dom de contar histórias no mínimo pitorescas de maneira tão espontânea e sincera que parece transformá-las em verdades.

É com esse histórico que o diretor/roteirista lança Bastard Inglorious, seu novo filme que tem como plano de fundo a segunda guerra mundial.

No longa-metragem, com cerca de duas horas e meia de duração, Bastardos e Inglórios é o nome de uma divisão do exército norte americano que luta contra Hitler e sua ideologia. Comandado por Aldo Raine, vivido por Brad Pitt, esse exército de oito homens tem como objetivo massacrar, destruir e aniquilar todo e qualquer nazista dos modos mais dolorosos, vergonhosos e horrendos possíveis. Só para se ter uma idéia das desgraças que os Bastardos fazem, Donny Dnowitz (interpretado por Elli Roth – o criador de Albergue) é famoso por matar inimigos com um taco de baseball.

Embora o elenco de veteranos tenha sido escolhido a dedo, quem verdadeiramente rouba a cena é Christoph Waltz, um ator austríaco não muito conhecido, que fez sucesso interpretando o comandante nazista Hans Landa, apelidado “o caçador de judeus”, que passa por momentos de glória e vergonha de maneira vezes hilária, vezes brutais.

O filme, bem como no cinema mudo, se desenrola por meio de capítulos, para minha surpresa, lineares. Prova de que Tarantino não usou “fórmulas”, mas abriu mão de uma de suas marcas registradas: a não-linearidade.

Outro ponto que merece destaque é o modo com que a trilha sonora é trabalhada, principalmente nas cenas com Shosanna, representada pela bela Melanie Laurent, com cenas que mais parecem clipes.

Sinceramente, caso você faça parte do primeiro grupo referido no começo do texto – o de não conhecedores do cinema – provavelmente não vai gostar do filme. Nenhum carro explode, há poucas cenas de romance e quase nenhuma luta. Além disso, o excesso de referências que você desconhece talvez o deixe irritado.

Agora, se faz parte do segundo grupo – o de amantes do cinema – pode ir assistir Bastardos Inglórios com uma certeza: vai ver uma obra de arte. A direção de arte é ótima, os diálogos incríveis e a história genial. Além disso, o excesso de referências que você conhece vai te deixar extasiado.

Acredito que a intenção de Tarantino ao fazer Bastardos e Inglórios foi justamente essa: despertar amor ou ódio em seus espectadores; indiferença jamais.

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