Adultérios | Woody Allen

adulterios(1)Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que não sou o fá número 1 do Woody Allen. Nem o milionésimo, na verdade. Devo ter visto uns cinco filmes dele. O que é uma #putafaltadesacanagem, admito. Mas você sabe como é. Eu boto a culpa na falta de tempo e, como todo mundo usa a falta de tempo para se desculpar por alguma coisa, você entende. Mas voltemos ao assunto, que resenha não é bagunça.

Sabe aquela banca de jornal que fica dentro do shopping  e vende livros? Foi lá que encontrei, entre um livro do Paulo Coelho e outro, “Adultérios” do Woody Allen. Cheio de pó, coitadinho. Assim que o vi pude sentir ele me pedindo: “Tire-me daqui, amigo. Salve-me dessa seção de auto-ajuda”.  E, como quem atende um pedido desesperado, paguei 16 reais pelo livro de 208 páginas do escritor, diretor e – de vez em quando -, astro de mais de vinte filmes de sucesso: Woody Allen.

O livro conta três histórias. Só com diálogos. Mais ou menos como peças teatrais. Elas tratam sobre adultérios, têm arte envolvida e, claro, são hilárias. É o primeiro livro de Allen que leio. E ele é mesmo um ótimo escritor. Cada palavra é tratada com cuidado. Os personagens são tão malucos quanto seu criador. E cada história tem, pelo menos, três reviravoltas. O que é genial.

Enquanto redator, o livro é uma aula sobre a arte de escrever diálogos. Enquanto leitor, o livro é tão bom que quase acordei meu pai de tanto rir alto na madrugada - meu horário de leitura.

As duas primeiras histórias também tratam um pouco sobre o “bloqueio criativo” tão comum aos escritores. Mas prefiro parar de falar disso por aqui, para deixar você com vontade. A verdade é que recomendo muito esse livro para fãs e não-fãs que queiram se divertir com Woody Allen, esse cineasta que antes de tudo é escritor. E doido.

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Toy Story 3 | Coração de Brinquedo

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E se você fosse um brinquedo com sentimentos humanos e seu dono não brincasse com você há anos? É nesse clima emocionante que se desenrola o novo filme da Pixar. Mais um que você precisa ver.

Mas não tem como falar de Toy Story sem dar uma pincelada sobre o curta exibido antes da História de Brinquedo. Estou falando do maravilhoso Dia & Noite. Chegue no horário no cinema. Em menos de 5 minutos, você ri, chora e se emociona, com uma história definitivamente absurda e, justamente por isso, genial. Além de linda.

Voltando ao assunto.

Eu sei que você já assistiu os dois primeiros Toy Story. Não vou gastar nosso tempo filosofando sobre as personalidades tão bem criadas dos brinquedos de Andy. É claro que existem novos brinquedos na trama. E só posso dizer que eles são igualmente geniais. Desde o maquiavélico ursinho cor-de-rosa Lotso - com cheirinho de morango – passando pelo assustador Bebezão, até a apaixonante Barbie e seu metrossexual de plástico, Ken.

A trama segue uma bem desenvolvida jornada do herói. Pixar é Disney. Disso eles não fogem. A inovação está no modo como esta jornada é contada. Nem tinha como ser diferente. O roteirista é o Michael Arndt. Sim, o mesmo de Pequena Miss Sunshine (melhor roteiro original em 2007). Em muitas partes, você ri alto. Em outras, fica com medo. Mas em cada cena da trajetória de Woody e sua turma, você se emociona. E é isso que quero quando vou ao cinema.

Se tivesse que falar algo negativo, só pra equilibrar a crítica, diria que é um pouco mais adulto do que deveria — to com medo do bebezão até agora! Na sessão que eu vi, nenhuma criança tinha menos de sete anos. E creio que essa seja uma boa classificação etária para você, que está pensando em levar seu irmãozinho.

Para finalizar, preciso desabafar: Todo filme de animação é prejulgado por abusar dos efeitos visuais e esquecer-se da trama, dos diálogos, dos personagens, enfim; do roteiro. Sendo assim, cabe ressaltar que só falei aqui do roteiro. Até porque, a parte visual prefiro resumir em duas palavras:

Disney Pixar.

PS: Minha namorada chorou.

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Raio Verde | Julio Verne

raio-verdeEsse é um livrinho daqueles com menos de 100 páginas que você lê em duas horas. E adora.

Pra falar a verdade, eu nem lembro quando esse livro chegou em casa. Nem como. Pela qualidade do material, devo ter comprado numa estação de metrô por R$4,95. Aliás, fica aqui uma dica para você que pega metrô esporadicamente: preste atenção aos livretos à venda naquelas máquinas que parecem de coca-cola, mas que são de algo muito mais gostoso, livros.

Basicamente, O Raio Verde é sobre uma moça criada por tios encantadores e que ouve uma lenda de que o último raio de sol visto no horizonte ao mar é verde – e quem o vê encontra seu amor verdadeiro. A moça convence seus tios a irem em busca do tal raio e a partir de então começa uma aventura com tudo que você gosta: suspense, comédia, drama e, claro, romance.

Julio Verne é um daqueles autores que você lê e sente vontade de ser seu amigo (definição roubada do @lhmatos). A história por ele contada é cheia de referências poéticas, de outros romancistas e até científicas, mas ele consegue escrever de um jeito simples e – o mais importante – que prende a atenção do leitor do começo ao fim.

Raio Verde é uma das obras primas do autor, com personagens maravilhosos, ótima estrutura, bom final e muita emoção. Recomendo a todos que apreciam uma boa história e desejam aprender mais sobre esse mistério que há tempos intriga a humanidade: o amor.

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O dia mau

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Essa manhã o sol não apareceu. Eu olhei para o céu e ele não estava lá. Talvez as nuvens o tenham escondido. Talvez o vento tenha-o levado pra longe. Eu não posso vê-lo. Eu não sei onde ele está. Mas ainda assim o dia está claro.

Às vezes a chuva cai. E me deixa preso em casa. Às vezes, o vento sopra forte. E eu tenho que segurar em alguém. Às vezes, uma árvore cai. E ela não tem em quem segurar.

O inverno parece mais longo que o verão. O outono e a primavera são um copo meio cheio /meio vazio. E eu corro pra casa. E eu tento não pensar em nada. Mas sou um morador de rua. E o frio e a solidão são meus amigos imaginários. Meus amigos reais estão longe. Talvez em casa. Talvez, sozinhos.

Mas quando a hipotermia parece ser inevitável o sol nasce radiante. A TV fala que a temperatura é baixa. Mas o termômetro do meu coração diz o contrário.

E eu planto uma árvore. E meus inimigos imaginários somem. Meus companheiros não estão mais sozinhos. Eu estou com eles. O dia mau passa. E eu aproveito cada segundo de calor. Pois sei que no tempo determinado o inverno vai voltar. Mas ainda assim o dia vai estar claro.


ilustra do amigo de fé, irmão e camarada @szilag.

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Defesa a poesia

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Dizem que poesia é a arte dos solitários.

Que versos sublimes são frutos de corações em pedaços.

Triste mesmo é quem assim pensa.

Quem só cria em desavença.

Precisa aprender que o extremo só é bom no momento.

Vaidade!  Como correr atrás do vento.

Vendo a vida passar na cozinha, como um lanche sem contar caloria.

E vejo crianças correndo. E penso em casamento.

Enquanto seco uma panela, jogam uma pedra em minha janela.

Dois idiotas dirigindo em alta velocidade.

Na verdade, não aprenderam o que é liberdade.

Pensam que se correrem bastante a acharão.

Não entendem o tamanho da ilusão.

Viver para gozar. Viver para se drogar.

Viver para se amar. Viver para se matar.

Pensam que poesia só rima com tristeza

Porque só escrevem em tempos de fraqueza.

Quando tudo está em perfeição,

Não há tempo para reflexão.

Daí a precipitada definição,

Que leva à óbvia conclusão:

Poesia é para quem, na tristeza, procura alegria.

E, quando a encontra, não desperdiça em baixaria.

Ilustração do Bamba Gueramba Hélder Nóbrega.

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