capitaoO velho Buk desprezava cadernos de anotações, cheios de reclamações entediantes. Porém, quando lhe disseram que escrever um poderia ser bom, ele, com certeza para espanto de muitos, resolveu escrever sobre seus dias.

Quatro anos depois de sua morte, foi lançando “O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio”, uma coletânea de textos retirados do diário do escritor – e escolhidos por ele mesmo em vida – entre os anos de 1990 e 1992.

No livro, o velho Buk disserta sobre temas tão complexos e naturais como a morte, a velhice, as ambições, seu prazer na solidão e o uso de computadores, em especial seu macintosh, que ela adorava.

Não obstante, Buk reclama do cinema, dos poetas, dos aclamados escritores, da música pop, das pessoas, de seus leitores e, em especial, da humanidade. Reclama até dos exageros que diríamos em resenhas como essa. Ele era um velho reclamão e sabia disso.

Sua genialidade estava em transformar toda essa desgraça em contos, romances e poesias que tão bem representavam sua geração. Um espelho da sociedade que cresceu após a grande depressão.

Sobre sua vida particular: o velho sabia que ainda bebia e fumava demais.  Também sabia que já devia estar morto e, admite; desejava já estar.

A cada dia me apaixono mais pelo realismo, falta de papas na língua e sinceridade extrema de Charles Bukowski. E indico a todos que queiram conhecer mais a fundo a vida do dito último escritor maldito, que não era apenas um grande bebedor, fumante e viciado em jogos, mas tinha o poder de transformar em palavras sentimentos que faziam parte do inconsciente coletivo de sua época.

Um gênio mal humorado.

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