Há muito tempo atrás, quando eu era um jovem redator e blogava no saudoso fernandoluz.wordpress.com, criei uma coluna chamada “Perguntas de um Jovem Publicitário”.

Como eu sou meio sem foco nos projetos pessoais – e a aceitação não foi como eu esperava -, acabei fazendo apenas três entrevistas, mas com três publicitários que eu considero sensacionais e que, se você não conhece, deveria.

É engraçado que, hoje, poucos anos depois, eu receba constantemente emails de estudantes de publicidade justamente com as mesmas dúvidas sobre a profissão, a vida publicitária e afins que eu tinha.  Por isso, achei legal redivulgar essas entrevistas – que estavam perdidinhas aqui no blog.

É claro que, se você é um redator juvenil, ou um estudante de Publicidade e quer fazer alguma pergunta, eu sempre vou te responder com a maior alegria no coração. Mas acredito que entrevistas como essas podem te ajudar muito mais, tendo em vista que esses caras têm de carreira o que eu tenho de idade.

Aliás, também existe muita entrevista legal no youtube com outros mitos da publicidadeOlivetto, Nizan e etc. (que na época eu tentei conversar, sem sucesso, por motivos óbvios).

Enfim, sem mais enrolação, estou postando aqui as três melhores respostas de cada entrevistado, cuidadosamente selecionadas por esse que vos escreve. Clique no link do nome do publicitário para ler a matérias completas. E caso queira também ler uma entrevista que eu dei há algum tempo, fique à vontade: Entrevista do Fernando Luz, redator.

Espero que seja útil.


Entrevista com o craque Neto, da Bullet

 

Se você tivesse 18 anos novamente e tivesse que escolher uma carreira, você optaria por publicidade de novo?

Eu sempre quis ser piloto de caça, médico e jogador de futebol. Os três ao mesmo tempo. Se não desse certo de novo, seguramente seria publicitário.

 

Dizem que nós somos aquilo que lemos, assistimos, ouvimos, enfim, vivemos. Sendo assim, o que você indica que os novos profissionais leiam, assistam, ouçam e vivam, para desenvolver a cultura tão necessária a nós, publicitários?

É uma ilusão imaginar que exista um roteiro básico de leitura/cinema/música para publicitários. Acho que a publicidade é uma das poucas formas de cultura que trabalham com o efêmero, com o cotidiano.

A gente é pago para transformar o volátil em algo que não seja descartável, por mais paradoxal que pareça. Exatamente por isso, todo tipo de informação é válida.

Desde os clássicos do cinema e da literatura até a revista Caras. A gente trabalha com todas as classes sociais, com todos os produtos, com todos os públicos. É um clichê, mas é verdade. Acho difícil o sujeito virar um bom publicitário se não for um curioso por natureza.

 

Que conselho você dá a essa nova geração de publicitários que vê você como um exemplo?

Conheçam o que já foi feito e quem fez. Identifiquem os talentos de hoje, acompanhem seus trabalhos. Nunca foi tão fácil saber o que as melhores agências do mercado têm feito.

Aprendam com o que está sendo feito e aceitem o desafio de fazer melhor. Não sejam apenas críticos. Entendam a história de cada job por trás de cada campanha vencedora.

Leiam de tudo, vejam de tudo, ouçam de tudo.


Entrevista com Celso Loducca

 

O mercado publicitário é muito concorrido. Como você entrou na área?

Fiz estágio, primeiro, em uma produtora de tirinhas para jornal e, com as histórias que eu havia criado em mãos, consegui – depois de alguns meses de canseira – uma entrevista com o Aurélio Julianelli, na época diretor de arte da Standard (hoje Ogilvy). Dei a sorte dele gostar de mim (duvido que tenha sido pelas histórias) e de a agência estar precisando de um estagiário de redator  para fazer o que ninguém queria fazer (folhetos,etc). Agarrei essa oportunidade e em 3 meses estava contratado como redator hiper-júnior para continuar fazendo o que ninguém mais queria fazer.

 

Qual o segredo do sucesso em Publicidade?

Não sei.

 

 Onde buscar referências?

Sempre na vida. As grandes peças de propaganda estão sempre calcadas em alguma verdade (mesmo que passageira) emocional/racional.


Entrevista com Zeca Martins, redator publicitário 

 

Você é considerado, hoje, um dos mais bem-sucedidos redatores publicitários do país. Quais fatores você acredita que te levaram ao sucesso?

Agradeço o elogio, mas não sei se sou um dos mais bem sucedidos redatores. O que sei é que meu livro de redação publicitária, ao que tudo indica, é o que vende mais.

Se fiz algum sucesso com meus livros – e com anúncios, em 30 anos de carreira – tudo se deveu a puro e simples esforço. Não sou um gênio nem tenho um titio que seja grande anunciante. Apenas trabalhei bastante, sem medo de cara feia nem de excesso de trabalho, sempre acreditando que poderia fazer trabalhos cada vez melhores. Só isso. E não é que funcionou?

 

O que você acha dos cursos de comunicação e propaganda oferecidos no país? Quais são os prós e contras?

Minhas críticas aos cursos de comunicação são profundas, mas não as faço às faculdades (embora haja desníveis muito grandes entre elas); faço ao MEC, que não exige um curriculum básico coerente nem atualizado, e concede autorização de cursos em regiões cujo mercado de trabalho tem uma capacidade duvidosa de absorção da mão-de-obra da rapaziada que se forma. Mas acredito que o interessado em trabalhar na publicidade deve cursar uma faculdade – a melhor ao seu alcance – porque, lá, não apenas ele recolherá um bom volume de informação como, principalmente, iniciará a construir a rede de relacionamentos que garantirá boa parte de suas oportunidades futuras de trabalho.

 

Alguns de seus livros influenciaram consideravelmente a nova geração de publicitários em geral e de redatores em particular. Você gostaria de deixar alguma dica para estes novos profissionais que veem em você inspiração para a carreira?

Trabalhem com seriedade. Façam com paixão. Estudem muito ao longo de toda a vida. Mantenham o astral lá em cima, porque vão precisar disso. Se puderem, contribuam com os colegas e com os interesses da sua classe profissional. Não tenham medo de expor suas idéias, por mais estranhas que possam parecer. Mantenham o sonho vivo.

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