Se você está lendo esse texto, das duas uma: Ou não entende de cinema, mas está pensando em ver o filme; ou gosta muito de cinema e, logo, entende um pouco do assunto. Se você faz parte do primeiro grupo, espero que essa humilde resenha te influencie positivamente. Agora, se faz parte do segundo, você é ao menos um pouco cinéfilo. E Tarantino é praticamente uma unanimidade entre cinéfilos.
Com seu estilo repleto de referências aos filmes clássicos e outros pouco conhecidos, de países como China, Japão, Rússia, França entre outros, o ex-atendente de locadora conquistou toda a nova geração de amantes da sétima arte com seu dom de contar histórias no mínimo pitorescas de maneira tão espontânea e sincera que parece transformá-las em verdades.
É com esse histórico que o diretor/roteirista lança Bastard Inglorious, seu novo filme que tem como plano de fundo a segunda guerra mundial.
No longa-metragem, com cerca de duas horas e meia de duração, Bastardos e Inglórios é o nome de uma divisão do exército norte americano que luta contra Hitler e sua ideologia. Comandado por Aldo Raine, vivido por Brad Pitt, esse exército de oito homens tem como objetivo massacrar, destruir e aniquilar todo e qualquer nazista dos modos mais dolorosos, vergonhosos e horrendos possíveis. Só para se ter uma idéia das desgraças que os Bastardos fazem, Donny Dnowitz (interpretado por Elli Roth – o criador de Albergue) é famoso por matar inimigos com um taco de baseball.
Embora o elenco de veteranos tenha sido escolhido a dedo, quem verdadeiramente rouba a cena é Christoph Waltz, um ator austríaco não muito conhecido, que fez sucesso interpretando o comandante nazista Hans Landa, apelidado “o caçador de judeus”, que passa por momentos de glória e vergonha de maneira vezes hilária, vezes brutais.
O filme, bem como no cinema mudo, se desenrola por meio de capítulos, para minha surpresa, lineares. Prova de que Tarantino não usou “fórmulas”, mas abriu mão de uma de suas marcas registradas: a não-linearidade.
Outro ponto que merece destaque é o modo com que a trilha sonora é trabalhada, principalmente nas cenas com Shosanna, representada pela bela Melanie Laurent, com cenas que mais parecem clipes.
Sinceramente, caso você faça parte do primeiro grupo referido no começo do texto – o de não conhecedores do cinema – provavelmente não vai gostar do filme. Nenhum carro explode, há poucas cenas de romance e quase nenhuma luta. Além disso, o excesso de referências que você desconhece talvez o deixe irritado.
Agora, se faz parte do segundo grupo – o de amantes do cinema – pode ir assistir Bastardos Inglórios com uma certeza: vai ver uma obra de arte. A direção de arte é ótima, os diálogos incríveis e a história genial. Além disso, o excesso de referências que você conhece vai te deixar extasiado.
Acredito que a intenção de Tarantino ao fazer Bastardos e Inglórios foi justamente essa: despertar amor ou ódio em seus espectadores; indiferença jamais.
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